1 de maio de 2008

A Lactância Selvagem




Desde que engravidei só pensava nisso.
A-m-a-m-e-n-t-a-ç-ã-o !
Era até uma parada meio delirante, cheguei a sonhar que estava amamentando um bebê que não tinha rosto.
O desejo de ver alguém sugando, com suas bochechas rosadinhas.
Sentir o fluxo do leite saindo.
O maior sonho.
Via que algumas pessoas tinham muita dificuldade em amamentar, algumas acabavam desistindo e sempre pensando, que comigo não seria dessa forma.
Fosse o trabalho que fosse, eu amamentaria.
A coroação de todo o ciclo gestação-parto-amamentação.
E graças as Deusas, assim foi.
Cora mamou nos primeiros minutos de vida.
Quando nasceu já veio batendo a boquinha, tipo, Calma mamãe...vou realizar teu sonho!
Ela mamou exclusivamente até os 6 meses, e agora estamos na amamentação prolongada.
São exatos 22 meses de amor.
Amor líquido.
Amo amamentar.
Não tenho pudores, ela o faz quando deseja.
E assim será até quando ela sentir essa necessidade.
O pediatra, que sempre incentivou, na última consulta, me veio com um papo de desmame.
Tive vontade de mandá-lo para a putaquepariu, mas a minha educação nessas horas funciona bem...
Algumas pessoas, vem com um papo de que não é mais necessário, que isso é mãnha, mania e que ela é muito dependente de mim por isso.
Aliás, as mesmas pessoas que não entendem a nossa cama familiar.
Pobres bossais, jamais alcançarão....
Recebi um texto magnífico, que exprime muito bem o que sinto, o que penso, o que faço.
Infelizmente não tenho o dom da escrita, por conta disso, quando recebo algo assim, tenho que divulgar.
Amamentar é bom pra caralhooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


bjs




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A lactância selvagem (Laura Gutman)



A maioria das mães que consultam por dificuldades na lactância estão preocupadas por saber como fazer as coisas corretamente, em lugar de procurar o silêncio interior, as raízes profundas, os vestígios de feminidade e um apoio no companheiro, na família ou na comunidade que favoreçam o encontro com sua essência pessoal.


A lactância genuína é manifestação de nossos aspectos mais terrenais, selvagens, filogenéticos. Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.Isso é dar de mamar. É deixar aflorar nossos rincões ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem imaginar que ainda estavam em nosso interior. E deixar-se levar pela surpresa de ver-nos lamber a nossos bebês, de cheirar a frescura de seu sangue, de chorrear entre um corpo e outro, de converter-se em corpo e fluidos dançantes.




Dar de mamar é despojar-se das mentiras que nos contamos toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estar “desprolixas”, poderosas, famintas, como lobas, como leoas, como tigresas, como “canguruas”, como gatas. Muito relacionadas com as mamíferas de outras espécies em seu total afeiçoo para a criança, descuidando ao resto da comunidade, mas milimetricamente atenciosas às necessidades do recém nascido.




Deleitadas com o milagre, tratando de reconhecer que fomos nós as que o fizemos possível, e reencontrando-nos com o que tenha de sublime. É uma experiência mística se nos permitimos que assim seja.

Isto é tudo o que se precisa para poder dar de mamar a um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Mas sim apoio, contenção e confiança de outros (marido, rede de mulheres, sociedade, âmbito social) para ser uma mesma mais do que nunca. Só permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos, e deixar-se levar pela loucura do selvagem.




Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui. Não somos tão diferentes aos rios, aos vulcões, aos bosques. Só é necessário preservá-los dos ataques.




As mulheres que desejamos amamentar temos o desafio de não nos afastar desmedidamente de nossos instintos selvagens. Costumamos raciocinar, ler livros de puericultura e desta maneira perdemos o eixo entre tantos conselhos pretensamente “profissionais”.




Há uma idéia que atravessa e desativa a animalidade da lactância, e é a insistência para que a mãe se separe do corpo do bebê. Contrariamente ao que se supõe, o bebê deveria ser carregado pela mãe o tempo todo, inclusive e sobretudo quando dorme. A separação física à que nos submetemos como rotina entorpece a fluidez da lactância. Os bebês ocidentais dormem no moisés ou no carrinho ou em seus berços demasiadas horas. Esta conduta singelamente atenciosa contra a lactância. Porque dar de mamar é uma atividade corporal e energética constante. É como um rio que não pode parar de fluir: se se o bloqueia, desvia seu volume.




Dar de mamar é ter o bebê a colo, o tempo todo que seja possível. É corpo, é silêncio, é conexão com o submundo invisível, é fusão emocional, é loucura.






Sim, há que ser um pouco louca para maternar.






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2 comentários:

disse...

essa foto é linda demaiss!! Adoro tudo o que você escreve! Flui muito bem nos meus olhos e coração... bjs
Rê da Dandara

Elisa disse...

Lindo, lindo, lindo!
Além do texto, a foto tb está maravilhosa.
Bjks