29 de outubro de 2014



IX

o sopro da memória
é ventania dentro do teu sonho.
eu passo entre pétalas de ouro
e o vestido brilha
a minha ausência.
os teus olhos
tentando desenhar meu rosto
meu corpo
aquilo que se dissipa
deixaram escapar
as migalhas do último pão repartido
entre nós dois.
aquele pão, estrela de mil sóis.


[da série Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Tania Lyons


28 de outubro de 2014

Pequenas Aventuras 34




A dureza do teu silêncio
aperta
corta
esfola
mata!


[Ana Sixx]





27 de outubro de 2014

Coração Valente !!


E finalmente, acabou-se o período eleitoral....
Nunca se viu, uma eleição tão disputada e tão feroz...
As redes sociais cumpriram seu papel, tanto na divulgação dos fatos, já que é impossível nos informamos com a mídia completamente parcial que está estabelecida no país, como também, colocando-nos a par de toda a nojeira existente dentro do ser humano.
Machismo, Homofobia, misoginia, xenofobia...olha teve um pouco de tudo.
Triste é você, ver naqueles que sempre admirou esse tipo de coisa...Bem, de qualquer forma, é bom sabermos quem somos, é a hora da verdade. Agora eu sei....tô muito mais ligada nas pessoas e nos seus potenciais destrutivos.

Não sou ptista, embora muitos acreditem que eu seja (aliás, cago meia tonelada pra essas pessoas), mas nada posso fazer se os candidatos que alinham o pensamento com o meu estão no PT, ou em outros partidos de esquerda. 
Sei das falhas, sei do monte de coisa que ainda tem que ser feito, não sou cega, nem louca, mas também vejo a quantidade de coisas que foram feitas nesses 12 anos, e só uma pessoa muito alienada para não admitir isso.

Meu voto sempre será pela desigualdade social, SEMPRE, eu quero sim, que nosso Brasil cresça economicamente falando, mas jamais em tempo algum, que seja passando por cima ou simplesmente ignorando uma parcela gigante da população. Isso pra mim é inconcebível!!!
Finalmente um governo, que olha para essas pessoas, que sempre, SEMPRE foram ignoradas, e isso pra mim é tudo.
Daí o povo vem com um papo de que é populismo, que é uma forma de prender o eleitorado e ter sempre votos certos. Mas, peraí, então nunca deve ser feito nada por essas pessoas? Porque qualquer governante que faça esse tipo de trabalho, vai sim ter a admiração do povo e consequentemente terá sim, seus votos justos. As pessoas vão votar em quem está fazendo, efetivamente, e não em quem diz fazer algo....
Tenho certeza que se as obras fossem do outro lado, eles estariam sim usando seus trabalhos para poder ganhar a eleição, só um idiota não faria isso...

Saímos do mapa mundial da fome, quer coisa mais maravilhosa?

Enfim, tenho lido os maiores absurdos nas redes sociais, coisas que realmente me envergonham, mas enfim, vida que segue, tenho a consciência tranquila que fiz uma campanha positiva em prol da reeleição da Dilma Rousseff. 
Votei pela desigualdade social, que ela continue diminuindo, tirando cada vez mais, brasileiros, seres humanos como eu e como você da miséria.

Estou de olho, voto consciente, voto com admiração pelo que a Dilma representa.
E agora, são mais 4 anos, torcendo muito para que tudo dê certo.
Reforma política já!!

Viva o povo brasileiro!
Força Dilma, coração valente!!




21 de outubro de 2014


VIII

o relâmpago que sorri
na noite escura
do teu sonho
não sou eu.
de nada adianta
compor um mapa
com as linhas esgarçadas
que restam do vestido.
a ausência é outro nome
para estar perdido.
eu sou uma nuvem
um pássaro
um desenho
que se apaga lentamente.


[da série: Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: sem autoria definida


20 de outubro de 2014


VII

esquecer o meu nome
esquecer o meu cheiro
e todos os vestígios
da minha passagem
pelo teu sonho.
em tuas mãos
no entanto
as pérolas
e as linhas
que desfazem a trama
do vestido.
em tuas mãos
no entanto
quase a memória
de quem fui eu.


[da série: Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Louise Richardson




19 de outubro de 2014


VI

esses passos 
esses vestígios
que recolhes do chão
do teu sonho
fui eu que espalhei.
era pra ser um jogo
essa ausência.
era para ser mentira
esse relâmpago no horizonte.
recolhe com cuidado
os colchetes, os botões
a barra de renda tão fina
que se esvai como uma nuvem.
recolhe com cuidado esse vestido desabitado.
em outro sonho eu transito nua.


[da série: Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Maira Kalman


18 de outubro de 2014


V

habitar o teu nome, 
eis toda memória.
habitar o teu nome,
como o fermento habita o pão.
a costura se desfaz lentamente,
mas o vestido persiste.
sou eu que caminho lentamente
sobre a superfície do teu sonho.


[da série: Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Anne Ferran