26 de janeiro de 2015


Ao perder-te, perdemos desigualmente
Eu perdi, porque juntamente contigo
Vinha um tanto de crença nas estradas
Mas tu perdeste muito mais
Porque entre todas que amavas
Nenhuma acompanhava como eu
A tua caminhada.

[Adriane Garcia]

* Escrito e inspirado a partir de um poema do nicaraguense Ernesto Cardenal

"Ao perder você, eu e você perdemos.
Eu perdi, porque tu eras a que eu mais amava e você, porque eu era o que te amava mais.
Contudo, de nós dois, você perdeu mais do que eu.
Eu poderei amar outras como amei você
Mas você, ninguém vai te amar como eu te amei."


25 de janeiro de 2015

6 de janeiro de 2015

Filmes 3

Ou não entendo nada de filmes, ou estou dando uma sorte fudida, pois todos que estou assistindo são muito legais e logo viram boa indicação por aqui!










*Documentário*

25 de dezembro de 2014

Daquelas músicas que me tocam lá no fundinho...


Hoje eu cansei de saudade
E vou mandar te trazer
Nem que precisem mais de mil cavalos brancos
Pra te convencer

Nessa espera eu te guardo
Numa redoma de cetim
Que eu teci enquanto cantava
Naquele dia em que eu te conheci

Se eu fosse um rei
Eu te dava abrigo no meu país
Mas eu não sou
Por isso segues como exilado
Sem saber de mim

Hoje não importa nem teu nome
Insisto em te afirmar
Que essa espera é só uma gota
Que só se faz transbordar

Se eu fosse quem você espera
Juro faria-te um ser
Muito maior do que tu sonhas
Muito mais livre do que se possa crer.

(Filipe Catto)


17 de dezembro de 2014


XXV

eu caminho sobre o teu sonho
enquanto o mundo se desfaz.
migalhas
estilhaços
as linhas
que se esgarçam do vestido
e que te ligam a mim
orbitam em torno de nós dois.
tudo é ruína
e dissolução
e a memória
uma luz tênue.
a guerra
fora daqui sorri
o seu relâmpago
e embora meu rosto
se desfaça
eu permaneço
em tua pele.
tudo se perde
como meu coração
[cristal quebrado
em mil pedaços]
mas eu permaneço
eu habito
o teu peito.

[da série Vestidos Vazios, que se encerra hoje com esse poema, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Chiharu Shiota


Meu comentário: minha amiga Micheliny, andou pela minha história, passeou dentro do meu coração sem saber e escreveu.  Arrisco dizer, que foi a coisa escrita que mais me tocou nesses últimos tempos, porque em cada palavra, tem a minha pessoa. Talvez quem leia aqui não entenda, mas é desse jeito que estou falando. Sinto como minha essa série. Choro ao ler, é emocionante, e por isso, coloco aqui para que chegue a muitas pessoas. Dedico toda ela, a alguém que jamais a lerá, infelizmente.
bjs 

Ana Sixx

16 de dezembro de 2014


XXIV

o que há de desespero
nas tuas mãos
ante o vestido que se desfaz
não é saudade.
é talvez o relâmpago que sorri
no horizonte
e que não sou eu.
é talvez o meu nome
que morre antes do murmúrio.
é talvez o meu rosto
do qual quase te recordas.
no teu sonho eu digo ao teu ouvido:
diz para mim uma só palavra
e serei salva
mas não escutas.

[da série Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Anne Barclav





15 de dezembro de 2014


XXIII

nesse vestido
de sonho e memória
habitei um dia.
nesse vestido
que tremula
ao teu toque mais leve
a primeira dança do amor.
o que resta do meu nome
em tua pele?
o que resta do que fui
sob a tua língua?
éramos festa e fogo, 
silêncio e trovoada.
agora eu passeio pelo teu sonho:
a minha vida baseada
numa história real.

[da série Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Margaret Ackland 

14 de dezembro de 2014


XXII

este vestido
despido de mim
carrega em si
uma cartografia impossível.
ele não me encontra
e não me recupera.
o desejo que orbita
insatisfeito
entre as dobras
é tudo o que resta
de nós dois.
em suas linhas
uma rota para o nada.

[da série Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Chiharu Shiota

13 de dezembro de 2014


XXI

o amor
como o esquecimento
são formas de persistência.
as tuas mãos
que desabotoaram o vestido
onde estão?
a memória é uma fenda profunda
e o vestido desabitado
permanece despido de mim.


[da série, Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Tori Ellison

12 de dezembro de 2014


XX

o amor tem nome e rosto.
o amor tem idade
e contorno
este vestido
que um dia foi festa
e luminosidade
este vestido
um dia estive nele.
nada me recompõe
e o vestido se desfaz como
uma nuvem de chuva.
eu atravesso o teu sonho
e quase lembras meu nome.

[da série, Vestidos Vazios, de Micheliny Verunschk]

Imagem: Charles Waller